terça-feira, 2 de setembro de 2014

raiz

BURACO DE CORUJA ou RAIZ

   Toda vez que gosto muito de algo, este foge das minhas mãos.
Toda vez que eu me apego a um casaco, aos óculos ou a um batom.
Sempre que eu me envaideço pela posse de um objeto, ele se esvai
do nada, pra longe de mim. Não sei, se com as pessoas acontece o
mesmo. Se eu me apego, me afeiçoo, me dedico. E quando vamos 
ver: É inútil continuar. Não haveria mais espaço para os parâmetros
dimensionais do amor. Acho que isso não ocorreu comigo mesma
porque eu sou assim, mais do outro do que mesmo de mim. A sua
alegria é a minha felicidade; portanto não sobrecarrego tanto em mim.
    Enquanto curto plantas- flor, a vida então se encarrega de regar
este mesmo meu amor. Pra tanto, sigo o ritmo da benevolência e com
isso, não deixo escapar a essência, o miolo, a vertente de luz. Tanta
beleza dentro desse olhar azul, que ofusca e te esconde, fugidia de
si mesma, pra que o tudo não se reverta, pra que eu possa por um 
bom tempo dar vida a essa caneta... Fazendo as estrelinhas... As
crianças curtindo as dimensões e leveza corporal, soltas e envoltas
em ectoplasmas no espaço sideral. Sou eu agora, na estação do etéreo
sem precisar sequer tirar os pés do chão. E as mãos, sobre o coração!
    
                                                                              02 de julho de 2014
                                                                              Teresa Jardim

Um comentário: